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Textos de apoio

Entrevistas concedidas para Thales Tréz em dezembro/1999

 Dr. David Collins, Cirurgião Pediátrico - Canadá
 Dr. Corina Gericke, Veterinária - Alemanha
 Dr. David Morton, Médico - Inglaterra
 Dr. Jerry W. Vlasak, Médico Cirurgião - Estados Unidos
 Dr. Stefano Cagno, Médico Cirurgião – Itália
 



Dr. David Collins, Cirurgião Pediátrico - Canadá
Pre-med University of British Columbia, Vancouver, Canada, BA, 1947
Medicine- McGill University Montreal, Canada MD, CM 1954 Residency in pediatric Surgery, Boston Children's hospital. 1956-62.

Você acredita que o uso de animais durante a educação médica é indispensável para o ensino de técnica cirúrgica? Porquê?

Dr. Collins: Animais não são necessários. A técnica cirúrgica é primeiramente aprendida pela observação, assistência e então praticada sob supervisão, e ensinando os procedimentos, tudo em humanos (veja uma, faça uma, ensine uma). 

Que tipo de alternativas você sugeriria para a substituição dos animais durante o treinamento cirúrgico?

Dr. Collins: Modelos plásticos estão disponíveis para o aprendizado de algumas técnicas, e mesmo em pessoas.

Que tipos de prejuízos (éticos, psicológicos, etc.) o uso de animais na educação médica pode causar ao estudante de medicina?

Dr. Collins: Não geram o respeito próprio pelos animais como criaturas senscientes.

Cirurgiões daqui dizem que o estudante deve estar em contato com tecidos vivos, e que sem isso é impossível aprender a técnica cirúrgica. Alguns desconhecem universidades pelo mundo que não utilizem tecidos vivos para o ensino de cirurgia. É verdade?

Dr. Collins: Tecidos vivos sim – humanos.

É possível ser um bom cirurgião sem ter aprendido com animais?

Dr. Collins: Sim

Você pode explicar mais sobre o período de residência (por exemplo), onde os estudantes estão em contato com pacientes humanos e aprendem métodos cirúrgicos em seres humanos?

Dr. Collins: Sim, este é o meio padrão que todos nós aprendemos cirurgia.

Realidade virtual e outras tecnologias não dão ao estudante informações importantes sobre sinais vitais, hemorragias, tato. É verdade?

Dr. Collins: Não tão bem quanto o real, mas a realidade virtual pode ajudar no aprendizado de algumas técnicas, como as suturas.


Dr. Corina Gericke, Veterinária - Alemanha
Education as Medical Technician Assistent; Employed at Society for Epilepsy Research; Studied veterinary medicine at the University of Giessen/Germany; Founded the Federal Society of Students against Animal Misuse in Education in 1988; Employed at 4 different small animal clinics in the United Kingdom (1995-1998)

Você acredita que o uso de animais durante a educação médica é indispensável para o ensino de técnica cirúrgica? Porquê?

Dr. Corina – Não é necessário o uso de animais para aprender técnicas cirúrgicas nem em qualquer outra parte do estudo médico. Porquê? Veja a questão 2.

Que tipo de alternativas você sugeriria para a substituição dos animais durante o treinamento cirúrgico?

Dr. Corina – A única maneira apropriada de aprender cirurgia é primeiro praticá-la em cadáveres, então observar um experiente cirurgião, auxiliar este cirurgião e finalmente praticar a cirurgia, sendo supervisionado por um cirurgião experiente. Aprendendo passo a passo. Isto se aplica tanto para cirurgiões veterinários ou humanos. Na minha opinião, não existe outra maneira de se aprender cirurgia.

Se um estudante pratica em animais de laboratório e algo dá errado, é fácil dizer: “E daí, é apenas um animal de laboratório, pegaremos outro”. Na vida real, em uma operação real, você não pode dizer isto. Quando se usa animais de laboratório na cirurgia, os estudantes aprendem a atitude errada sobre a vida e a morte.

Que tipos de prejuízos (éticos, psicológicos, etc.) o uso de animais na educação médica pode causar ao estudante de medicina?

Dr. Corina – Os estudantes de tornam insensíveis e duros quando usam animais para seu estudo. Estudantes de medicina e doutores deveriam ter respeito pela vida, incluindo a vida de animais.

Cirurgiões daqui dizem que o estudante deve estar em contato com tecidos vivos, e que sem isso é impossível aprender a técnica cirúrgica. Alguns desconhecem universidades pelo mundo que não utilizem tecidos vivos para o ensino de cirurgia. É verdade?

Dr. Corina – É óbvio que os estudantes devem estar em contato com tecido vivo, mas deve ser um tecido vivo de uma operação real em um paciente. Quando um estudante observa e ajuda um cirurgião experiente, ele/ela está em contato com tecido vivo, com hemorragias, etc. Não existe NENHUMA universidade de medicina na Alemanha onde os estudantes tenham que participar de experimentos animais para aprender cirurgia! De acordo com seus professores, todos cirurgiões alemães deveriam ser cirurgiões inexperientes, o que eu asseguro que não é verdade.

É possível ser um bom cirurgião sem ter aprendido com animais?

Dr. Corina – Você não pode ser um bom cirurgião quando aprende com animais.

Você pode explicar mais sobre o período de residência (por exemplo), onde os estudantes estão em contato com pacientes humanos e aprendem métodos cirúrgicos em seres humanos?

Dr. Corina – Depois de 6 anos na universidade, os estudantes alemães de medicina devem fazer um “ano prático”, que é dividido em 3 partes: medicina interna, cirurgia e uma parte optativa. É aí que começa a se aprender cirurgia. Leva diversos anos de prática e experiência para se tornar um bom cirurgião. Não se espera aprender tudo isso em um curto período na universidade.

Realidade virtual e outras tecnologias não dão ao estudante informações importantes sobre sinais vitais, hemorragias, tato. É verdade?

Dr. Corina – Realidade virtual, simulações em computadores, filmes são alternativas boas para o ensino de fisiologia, mas não para o ensino de cirurgia. Existem alguns métodos alternativos disponíveis para o ensino de cirurgia: por exemplo, um “braço para a prática de sutura” (suture practice arm), que é feito de uma pele sintética. Ele tem diversos ferimentos, que permite ao estudante a prática da sutura de ferimentos. Então ele/ela pode abrir e tentar novamente. Outra alternativa feita de borracha (ruber foam) simula um estômago, no qual você pode praticar certas técnicas cirúrgicas. Em um outro modelo, órgãos provenientes de abatedouros (como fígado, rim, et.) são submetidos à uma corrente de um líquido semelhante ao sangue. Isso pode ser utilizado para o manuseio de vasos hemorrágicos. Em um rato artificial, você pode aprender microcirurgia, por exemplo, anastomose de vasos sangüíneos finos (NT.: o estudo de anastomose microcirúrgica pode ser estudado também, e com maior eficiência, em vasos sanguíneos de placentas humanas).

Na Alemanha, quantas escolas de medicina substituíram animais durante a educação médica?

Dr. Corina – Existem 36 universidades médicas na Alemanha. Em 14 delas você pode estudar sem a utilização compulsória de animais. As outras universidades utilizam animais em cursos de fisiologia  e/ou zoologia/morfologia.


Dr. David Morton, Médico - Inglaterra
Head Centre for Biomedical Ethics, Division of Primary Care, Public and Occupational Health, (Director Biomedical Services Unit). University of Birmingham. 

Você acredita que o uso de animais durante a educação médica é indispensável para o ensino de técnica cirúrgica? Porquê?

Dr. Morton: Dependerá das alternativas disponíveis. Deveria haver um estágio onde se desenvolveria habilidades em objetos inanimados, e então progredir, se necessário, para animais, mas não há nunca qualquer necessidade de que estes recubram a consciência, na minha opinião.

Que tipo de alternativas você sugeriria para a substituição dos animais durante o treinamento cirúrgico?

Dr. Morton: Existem kits disponíveis no comércio para a prática de sutura e para a laparoscopia e outros tipos de cirurgia. Costurar cascas de banana e pedaços de elástico podem ser um começo. Uma alternativa mais avançada é assistir um cirurgião experiente e gradualmente adquirir as habilidades necessárias em um certo período de tempo.

Que tipos de prejuízos (éticos, psicológicos, etc.) o uso de animais na educação médica pode causar ao estudante de medicina?

Dr. Morton: Pode fazer com que o estudante não respeite a vida animal, o que pode progredir para o desrespeito à vida humana (veja Kant e outros). A compaixão pelo vulnerável é uma importante qualidade para aqueles que seguirão profissões de cuidados.

Cirurgiões daqui dizem que o estudante deve estar em contato com tecidos vivos, e que sem isso é impossível aprender a técnica cirúrgica. Alguns desconhecem universidades pelo mundo que não utilizem tecidos vivos para o ensino de cirurgia. É verdade?

Dr. Morton: Existe alguma verdade nisto, mas o estágio acima descrito responde à estas dúvidas (...). Na Inglaterra, desde 1876, e em cada vez mais países do mundo, animais não estão sendo mais usados como eram no passado. Tecidos vivos também podem ser obtidos de animais recém mortos ou de abatedores.

É possível ser um bom cirurgião sem ter aprendido com animais?

Dr. Morton: Sim, todos cirurgiões britânicos aprenderam sem o uso de qualquer material vivo de animais. Por acaso pensa-se que na Inglaterra, Irlanda (e acho que em outros países) arriscaria-se a vida humana pelo bem dos animais? Se fosse realmente necessário usar animais, assim seria feito.

Você pode explicar mais sobre o período de residência (por exemplo), onde os estudantes estão em contato com pacientes humanos e aprendem métodos cirúrgicos em seres humanos?

Dr. Morton: Na Inglaterra estamos nos afastando do ensino em hospitais para os primeiros socorros. Também temos um programa de 5 anos de treinamento de especialistas após a qualificação como doutor de qualquer disciplina médica de prática geral ou cirurgia. Depois segue um período de aprendizagem por mais 5 anos, de modo que não se possa praticar a cirurgia independentemente até que se tenha, por exemplo, 34 a 35 anos de idade, tendo pelo menos 10 anos de treinamento após a graduação.

Realidade virtual e outras tecnologias não dão ao estudante informações importantes sobre sinais vitais, hemorragias, tato. É verdade?

Dr. Morton: Elas podem ajudar no treinamento de estudantes, adquirindo um amplo campo de experiência (Albeit Virtual), de maneira mais rápida que a experiência obtida na sala de operações.


Dr. Jerry W. Vlasak, Médico Cirurgião - Estados Unidos
Trauma Surgeon, San Bernardino County Medical Center; Trauma Surgeon, Loma Linda University Medical Center; Level I Trauma Center- All aspects of Trauma/ Critical Care; Associate Director of Surgery, Waterbury Hospital Health Center; Full-time involvement with resident education; Director, Surgical Intensive Care Unit; Associate Director, Trauma Services; Private Practice, Santa Barbara County, California; Founded and developed Central Coast Surgical Group.

Você acredita que o uso de animais durante a educação médica é indispensável para o ensino de técnica cirúrgica? Porquê?

Dr. Vlasak: Obviamente que não. Nenhum cirurgião nos EUA aprendem cirurgia praticando em animais. Apenas uma universidade daqui requer animais de laboratório, e todas oferecem alternativas para a dissecção animal. Animais são tão diferentes em tantos aspectos, e a prática provinda deste tipo de experimento não são confiáveis quando praticamos a medicina humana. Mais importante, como podemos esperar que jovens cirurgiões desenvolvam sensibilidade, quando eles são ensinados a matar animais saudáveis.

Que tipo de alternativas você sugeriria para a substituição dos animais durante o treinamento cirúrgico?

Dr. Vlasak: Como citado anteriormente, animais não são utilizados para se aprender técnicas cirúrgicas nos EUA. Os animais ainda são usados em pesquisa básica, não porque eles são um bom meio para se aprender mais, mas porque tal prática é tão estabelecida, e há tanto dinheiro sendo gerado pela indústria animal-biomédica.

Que tipos de prejuízos (éticos, psicológicos, etc.) o uso de animais na educação médica pode causar ao estudante de medicina?

Dr. Vlasak: Como um jovem médico pode justificar a matança de um ser saudável para se aprender o que pode ser facilmente aprendido, em um nível muito mais real, através do uso de simulações de computadores e ambientes clínicos? Muitos estudantes de medicina nos EUA tem tido uma posição muito forte contra a matança de animais nas faculdades, e tem sido os grandes responsáveis pela substituição dos animais de laboratório. Mesmo em faculdades de veterinária os estudantes estão substituindo o animal de laboratório por experiências clínicas e outros métodos de ensino.

Cirurgiões daqui dizem que o estudante deve estar em contato com tecidos vivos, e que sem isso é impossível aprender a técnica cirúrgica. Alguns desconhecem universidades pelo mundo que não utilizem tecidos vivos para o ensino de cirurgia. É verdade?

Dr. Vlasak: Nos EUA, a cirurgia é ensinada por cirurgiões mais experientes, conduzindo jovens residentes através de procedimentos cada vez mais complicados na sala de operações humanas. O tecido vivo é usado, como também se aprende corretamente sobre fisiologia e anatomia humana. Gostaria de repetir que nenhum cirurgião nos EUA aprendem cirurgia em animais não-humanos.

E alguns deles também afirmam que mesmo que não se exija o uso de animais durante o período de graduação, certamente utilizarão após a graduação. É verdade?

Dr. Vlasak: Como expliquei acima, o treinamento em animais na graduação e pós graduação não é requerida, mas usualmente existe uma opção para aqueles que desejam realizá-la.  Mesmo no treinamento cirúrgico, é uma opção estritamente de pesquisa orientada, e não é obrigatória. Apenas nas escolas de medicina das forças armadas existe a exigência de dissecção no currículo. Enfim, os estudantes não são exigidos na prática de dissecção em estágios mais avançados.

É possível ser um bom cirurgião sem ter aprendido com animais?

Dr. Vlasak: Sou um bom cirurgião, e não aprendi em animais.

Você pode explicar mais sobre o período de residência (por exemplo), onde os estudantes estão em contato com pacientes humanos e aprendem métodos cirúrgicos em seres humanos?

Dr. Vlasak: Temos um período de 5 a 7 anos de residência em cirurgia nos EUA. Começando no primeiro ano, os residentes são conduzidos através de operações simples, como reparos de hérnia e biópsias de mama, com um cirurgião mais experiente supervisionando atentamente. Desta forma se ensina as técnicas de tecido corretamente, e é combinado com o ensino didático da sala de operação e enfermarias. A medida em que o período de residência avança, o residente vai tendo contato com operações cada vez mais complexas, sempre sob supervisão de um cirurgião experiente.

Realidade virtual e outras tecnologias não dão ao estudante informações importantes sobre sinais vitais, hemorragias, tato. É verdade?

Dr. Vlasak: A realidade virtual está ficando cada vez melhor com o passar do tempo. Especialmente na área de cirurgia laparoscópica, alguns dos simuladores são recursos muito bons no ensino de destreza e coordenação olho-mão.

 Algum comentário adicional?

Dr. Vlasak: Os animais não somente são desnecessários e raramente usados na educação médica nos EUA, como a ausência da matança de indivíduos saudáveis propicia o ensino da compaixão e preocupação nos jovens médicos. Eu estive viajando pela Europa oriental, onde as técnicas não-animais são adotadas com entusiasmo, e novas simulações de computadores foram apreciadas. O uso de animais não-humanos para ensinar medicina humana é um conceito do passado, e está sendo substituído por alternativas mais eficazes e humanas.


Dr. Stefano Cagno, Médico Cirurgião – Itália
Laurea in Medicina e Chirurgia presso Università Statale di Milano (Itália);
Dirigente Medico Ospedaliero
Membro do Comitato Scientifico Antivivisezionista (Roma); Autor do livro "Sobre animais e pesquisa" - Franco Muzzio Editora, e de outras 100 publicações sobre a vivissecção, direitos animais e bioética.

Você acredita que o uso de animais durante a educação médica é indispensável para o ensino de técnica cirúrgica? Porquê?

Dr. Stefano - O uso de animais na pesquisa médica e científica não traz nenhum benefício ao progresso científico. Os animais possuem uma anatomia diferente da do homem e uma consistência/estrutura dos tecidos também diferente. O cirurgião depois de ter experimentado as técnicas nos animais, passa para o homem que será a verdadeira cobaia experimental. Os cirurgiões experimentais, convencidos que aquilo que viram nos animais tem validade para o homem, no momento que passam para este último, se tornam menos prudentes do que deveriam ser, e consequentemente fazem mais danos.

Iluminadoras são as palavras do Prof. Salvatore Rocca Rossetti, nefrologista e urologista, docente da universidade de Torino: "Vi cirurgiões experimentar em alguns órgãos de cão pensando que fossem idênticos àqueles do homem e não sabendo que estavam cortando um órgão diferente, até uma glândula linfática, invés da tireóide. Nenhum cirurgião se tornou tal porque aprendeu a operar num animal; pelo contrário no animal ele desaprendeu....Eu fiz dezenas de milhares de cirurgias no homem e não as havia feito primeiro em animais".

Que tipo de alternativas você sugeriria para a substituição dos animais durante o treinamento cirúrgico?

Dr. Stefano - É importante colocar que se fosse investido mais dinheiro para métodos substitutivos da vivissecção, existiriam até muito mais possibilidades válidas. Atualmente existem muitíssimos softwares úteis para procedimentos cirúrgicos experimentais. Um desses chamado "virtual section" recebeu a aprovação e o investimento (sponsor) financeiro de parte da Universidade de Stanford na Califórnia. Depois existem indústrias que produzem membros artificiais feitos de material com a mesma consistência dos tecidos humanos. Neste caso os jovens cirurgiões podem praticar (“fare la mano”) nesses manequins.

Que tipos de prejuízos (éticos, psicológicos, etc.) o uso de animais na educação médica pode causar ao estudante de medicina?

Dr. Stefano - O estudante de medicina que não critica o uso dos animais na pesquisa experimental adere a uma lógica mecanicista que já fez danos gravíssimos no passado. Habitua-se a pensar que os seres vivos são constituídos de pedaços (órgãos) destacados e destacáveis entre eles. Ignora as conseqüências psicológicas do correto funcionamento dos seres vivos (homens e animais), esquecendo, por exemplo, que situações estressantes como aquelas experimentais diminuem a eficácia do sistema imunitário e então predispõe os animais a reagir de maneira ineficaz a eventos potencialmente patogênicos. Mas sobretudo, os estudantes tornando-se insensíveis ao sofrimento animal, se acostumam a fazer o mesmo com o sofrimento humano. Neurologistas canadenses que, depois de ter transcorrido um período de 6 meses em laboratórios de vivissecção, voltavam ao hospital, quando colocados a testes psicológicos, demonstraram muito menos sensibilidade ao sofrimento do paciente se comparado com sua atitude antes do período que ficou no laboratório com os animais.

Para os vivisseccionistas os animais se tornam coisas, objetos para serem usados para os próprios fins. O passo em direção aos humanos é sempre muito curto/breve.

Cirurgiões daqui dizem que o estudante deve estar em contato com tecidos vivos, e que sem isso é impossível aprender a técnica cirúrgica. Alguns desconhecem universidades pelo mundo que não utilizem tecidos vivos para o ensino de cirurgia. É verdade?

Dr. Stefano - Como eu disse antes, o fato que os animais ofereçam aos estudantes jovens ou aos jovens cirurgiões a possibilidade de exercitar-se em tecidos vivos não quer dizer que isso seja realmente útil. A pressão que o cirurgião deve fazer no bisturi para abrir o abdome de um suíno não é a mesma que deve ser feita no homem.

Na Itália a partir do ano que vem a Universidade de Modena deveria abolir qualquer experimentação animal, com objetivo didático, em qualquer das faculdades

O fato que muitíssimas universidades se continue a usar animais na experimentação cirúrgica não quer dizer que todos os cirurgiões efetivamente a usem (ver declarações precedentes do professor Rossetti)

É possível ser um bom cirurgião sem ter aprendido com animais?

Dr. Stefano - Sim. Também nesse caso repito as declarações do prof. Rocca Rossetti. A anatomia humana se aprende nas salas de anatomia e observando as operações dos cirurgiões mais velhos. Depois que se aprende um procedimento numa espécie animal, o cirurgião experimental, tem que desaprender para virar um cirurgião humano.

Você pode explicar mais sobre o período de residência (por exemplo), onde os estudantes estão em contato com pacientes humanos e aprendem métodos cirúrgicos em seres humanos?

Dr. Stefano - Na Itália infelizmente os estudantes de medicina e cirurgia não são obrigados a freqüentar muito as salas de cirurgia e anatomia. Eu ao invés mantenho que, depois da colação de grau, um médico que queira se dedicar à profissão de cirurgião deveria freqüentar diariamente por alguns anos as salas cirúrgicas. Lá ele aprenderá tudo que lhe servirá para a profissão.

Se fosse para escolher entre sofrer uma cirurgia feita por um cirurgião com longa experiência prática em animais e um outro com longa experiência teórica com homens, eu não teria dúvidas: escolheria o último!

Realidade virtual e outras tecnologias não dão ao estudante informações importantes sobre sinais vitais, hemorragias, tato. É verdade?

Dr. Stefano - A realidade virtual é um rapidíssimo progresso e atualmente existem programas que mimetizam qualquer situação. Existem manequins que mimetizam, por exemplo, qualquer situação cardio/cardiocirculatória, kits para exercitar-se nas anastomoses e nas incisões. Os eventos imprevisíveis depois se verificarão, independente do método usado para se exercitar o para aprender. Não esqueçamos que, por exemplo nos casos dos transplantes, as primeiras cirurgias feitas no passado foram todas falidas para os eventos que eram verificados nos homens, mas não nos animais. Sobre o assunto ler os seguintes interessantíssimos artigos:

Jamieson S.W. et al. Combined heart and lung transplantation, The Lancet, May 21, 1983, 1130.

Burke C.M. et al. Twenty-eight cases oh human heart-lung trasplantation, March 8, 1986 517-519

Na Itália e na Europa, quantas escolas de medicina substituíram animais durante a educação médica?

Dr. Stefano - Não conheço esse dado precisamente. Na Itália o uso de animais para exercícios universitários está em franca diminuição e poderia em pouco tempo ser vetado. Como anteriormente lembrei, a universidade de Modena a partir do próximo ano deverá ser o primeiro caso onde o emprego de animais será vetado em todas as faculdades.

Algum comentário adicional?

Dr. Stefano - As respostas foram sintéticas, mas o argumento é muito vasto e importante. A medicina, e as disciplinas biológico/científicas em geral, progredirão com mais velocidade quando definitivamente for abolido o uso de animais. A vivissecção é um método que deveria ofender a inteligência dos que amam a ciência e as matérias científicas. Eu considero a vivissecção no mesmo nível que a bruxaria.


 

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