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Textos de apoio Entrevistas concedidas para Thales Tréz em dezembro/1999
Dr.
David Collins, Cirurgião Pediátrico - Canadá
Você acredita que o uso de animais durante a educação médica é
indispensável para o ensino de técnica cirúrgica? Porquê? Dr.
Collins: Animais não são necessários. A técnica cirúrgica é
primeiramente aprendida pela observação, assistência e então praticada
sob supervisão, e ensinando os procedimentos, tudo em humanos (veja uma,
faça uma, ensine uma). Que
tipo de alternativas você sugeriria para a substituição dos animais
durante o treinamento cirúrgico? Dr.
Collins: Modelos plásticos estão disponíveis para o aprendizado de
algumas técnicas, e mesmo em pessoas. Que
tipos de prejuízos (éticos, psicológicos, etc.) o uso de animais na
educação médica pode causar ao estudante de medicina? Dr. Collins: Não geram o respeito próprio pelos animais como criaturas senscientes. Cirurgiões
daqui dizem que o estudante deve estar em contato com tecidos vivos, e que
sem isso é impossível aprender a técnica cirúrgica. Alguns desconhecem
universidades pelo mundo que não utilizem tecidos vivos para o ensino de
cirurgia. É verdade? Dr. Collins: Tecidos vivos sim – humanos. É
possível ser um bom cirurgião sem ter aprendido com animais? Dr.
Collins: Sim Você
pode explicar mais sobre o período de residência (por exemplo), onde os
estudantes estão em contato com pacientes humanos e aprendem métodos cirúrgicos
em seres humanos? Dr.
Collins: Sim, este é o meio padrão que todos nós aprendemos cirurgia. Realidade
virtual e outras tecnologias não dão ao estudante informações
importantes sobre sinais vitais, hemorragias, tato. É verdade? Dr.
Collins: Não tão bem quanto o real, mas a realidade virtual pode ajudar
no aprendizado de algumas técnicas, como as suturas.
Dr.
Corina Gericke, Veterinária - Alemanha Você
acredita que o uso de animais durante a educação médica é indispensável
para
o ensino de técnica cirúrgica? Porquê? Dr.
Corina – Não é necessário o uso de animais para aprender técnicas
cirúrgicas nem em qualquer outra parte do estudo médico. Porquê? Veja a
questão 2. Que
tipo de alternativas você sugeriria para a substituição dos animais
durante o treinamento cirúrgico? Dr.
Corina – A única maneira apropriada de aprender cirurgia é primeiro
praticá-la em cadáveres, então observar um experiente cirurgião,
auxiliar este cirurgião e finalmente praticar a cirurgia, sendo
supervisionado por um cirurgião experiente. Aprendendo passo a passo.
Isto se aplica tanto para cirurgiões veterinários ou humanos. Na minha
opinião, não existe outra maneira de se aprender cirurgia. Se
um estudante pratica em animais de laboratório e algo dá errado, é fácil
dizer: “E daí, é apenas um animal de laboratório, pegaremos outro”.
Na vida real, em uma operação real, você não pode dizer isto. Quando
se usa animais de laboratório na cirurgia, os estudantes aprendem a
atitude errada sobre a vida e a morte. Que
tipos de prejuízos (éticos, psicológicos, etc.) o uso de animais na
educação médica pode causar ao estudante de medicina? Dr.
Corina – Os estudantes de tornam insensíveis e duros quando usam
animais para seu estudo. Estudantes de medicina e doutores deveriam ter
respeito pela vida, incluindo a vida de animais. Cirurgiões
daqui dizem que o estudante deve estar em contato com tecidos vivos, e que
sem isso é impossível aprender a técnica cirúrgica. Alguns desconhecem
universidades pelo mundo que não utilizem tecidos vivos para o ensino de
cirurgia. É verdade? Dr.
Corina – É óbvio que os estudantes devem estar em contato com tecido
vivo, mas deve ser um tecido vivo de uma operação real em um paciente.
Quando um estudante observa e ajuda um cirurgião experiente, ele/ela está
em contato com tecido vivo, com hemorragias, etc. Não existe NENHUMA
universidade de medicina na Alemanha onde os estudantes tenham que
participar de experimentos animais para aprender cirurgia! De acordo com
seus professores, todos cirurgiões alemães deveriam ser cirurgiões
inexperientes, o que eu asseguro que não é verdade. É
possível ser um bom cirurgião sem ter aprendido com animais? Dr.
Corina – Você não pode ser um bom cirurgião quando aprende com
animais. Você
pode explicar mais sobre o período de residência (por exemplo), onde os
estudantes estão em contato com pacientes humanos e aprendem métodos cirúrgicos
em seres humanos? Dr.
Corina – Depois de 6 anos na universidade, os estudantes alemães de
medicina devem fazer um “ano prático”, que é dividido em 3 partes:
medicina interna, cirurgia e uma parte optativa. É aí que começa a se
aprender cirurgia. Leva diversos anos de prática e experiência para se
tornar um bom cirurgião. Não se espera aprender tudo isso em um curto
período na universidade. Realidade
virtual e outras tecnologias não dão ao estudante informações
importantes sobre sinais vitais, hemorragias, tato. É verdade? Dr.
Corina – Realidade virtual, simulações em computadores, filmes são
alternativas boas para o ensino de fisiologia, mas não para o ensino de
cirurgia. Existem alguns métodos alternativos disponíveis para o ensino
de cirurgia: por exemplo, um “braço para a prática de sutura”
(suture practice arm), que é feito de uma pele sintética. Ele tem
diversos ferimentos, que permite ao estudante a prática da sutura de
ferimentos. Então ele/ela pode abrir e tentar novamente. Outra
alternativa feita de borracha (ruber foam) simula um estômago, no qual
você pode praticar certas técnicas cirúrgicas. Em um outro modelo, órgãos
provenientes de abatedouros (como fígado, rim, et.) são submetidos à
uma corrente de um líquido semelhante ao sangue. Isso pode ser utilizado
para o manuseio de vasos hemorrágicos. Em um rato artificial, você pode
aprender microcirurgia, por exemplo, anastomose de vasos sangüíneos
finos (NT.: o estudo de anastomose microcirúrgica pode ser estudado também,
e com maior eficiência, em vasos sanguíneos de placentas humanas). Na
Alemanha, quantas escolas de medicina substituíram animais durante a
educação médica? Dr. Corina – Existem 36 universidades médicas na Alemanha. Em 14 delas você pode estudar sem a utilização compulsória de animais. As outras universidades utilizam animais em cursos de fisiologia e/ou zoologia/morfologia.
Dr.
David Morton, Médico - Inglaterra Você
acredita que o uso de animais durante a educação médica é
indispensável para o ensino de técnica cirúrgica? Porquê? Dr.
Morton: Dependerá das alternativas disponíveis. Deveria haver um
estágio onde se desenvolveria habilidades em objetos inanimados, e então
progredir, se necessário, para animais, mas não há nunca qualquer
necessidade de que estes recubram a consciência, na minha opinião. Que
tipo de alternativas você sugeriria para a substituição dos animais
durante o treinamento cirúrgico? Dr.
Morton: Existem kits disponíveis no comércio para a prática de sutura e
para a laparoscopia e outros tipos de cirurgia. Costurar cascas de banana
e pedaços de elástico podem ser um começo. Uma alternativa mais
avançada é assistir um cirurgião experiente e gradualmente adquirir as
habilidades necessárias em um certo período de tempo. Que tipos de prejuízos (éticos, psicológicos, etc.) o uso de animais na educação médica pode causar ao estudante de medicina? Dr. Morton: Pode fazer com que o estudante não respeite a vida animal, o que pode progredir para o desrespeito à vida humana (veja Kant e outros). A compaixão pelo vulnerável é uma importante qualidade para aqueles que seguirão profissões de cuidados. Cirurgiões
daqui dizem que o estudante deve estar em contato com tecidos vivos, e que
sem isso é impossível aprender a técnica cirúrgica. Alguns desconhecem
universidades pelo mundo que não utilizem tecidos vivos para o ensino de
cirurgia. É verdade? Dr. Morton: Existe alguma verdade nisto, mas o estágio acima descrito responde à estas dúvidas (...). Na Inglaterra, desde 1876, e em cada vez mais países do mundo, animais não estão sendo mais usados como eram no passado. Tecidos vivos também podem ser obtidos de animais recém mortos ou de abatedores. É
possível ser um bom cirurgião sem ter aprendido com animais? Dr.
Morton: Sim, todos cirurgiões britânicos aprenderam sem o uso de
qualquer material vivo de animais. Por acaso pensa-se que na Inglaterra,
Irlanda (e acho que em outros países) arriscaria-se a vida humana pelo
bem dos animais? Se fosse realmente necessário usar animais, assim seria
feito. Você
pode explicar mais sobre o período de residência (por exemplo), onde os
estudantes estão em contato com pacientes humanos e aprendem métodos
cirúrgicos em seres humanos? Dr. Morton: Na Inglaterra estamos nos afastando do ensino em hospitais para os primeiros socorros. Também temos um programa de 5 anos de treinamento de especialistas após a qualificação como doutor de qualquer disciplina médica de prática geral ou cirurgia. Depois segue um período de aprendizagem por mais 5 anos, de modo que não se possa praticar a cirurgia independentemente até que se tenha, por exemplo, 34 a 35 anos de idade, tendo pelo menos 10 anos de treinamento após a graduação. Realidade
virtual e outras tecnologias não dão ao estudante informações
importantes sobre sinais vitais, hemorragias, tato. É verdade? Dr.
Morton: Elas podem ajudar no treinamento de estudantes, adquirindo um
amplo campo de experiência (Albeit Virtual), de maneira mais rápida que
a experiência obtida na sala de operações.
Dr.
Jerry W. Vlasak, Médico Cirurgião -
Estados Unidos Você
acredita que o uso de animais durante a educação médica é
indispensável para
o ensino de técnica
cirúrgica? Porquê? Dr.
Vlasak: Obviamente que não. Nenhum cirurgião nos EUA aprendem cirurgia
praticando em animais. Apenas uma universidade daqui requer animais de
laboratório, e todas oferecem alternativas para a dissecção animal.
Animais são tão diferentes em tantos aspectos, e a prática provinda
deste tipo de experimento não são confiáveis quando praticamos a
medicina humana. Mais importante, como podemos esperar que jovens
cirurgiões desenvolvam sensibilidade, quando eles são ensinados a matar
animais saudáveis.
Que
tipo de alternativas você sugeriria para a substituição dos animais
durante o treinamento cirúrgico? Dr. Vlasak: Como citado anteriormente, animais não são utilizados para se aprender técnicas cirúrgicas nos EUA. Os animais ainda são usados em pesquisa básica, não porque eles são um bom meio para se aprender mais, mas porque tal prática é tão estabelecida, e há tanto dinheiro sendo gerado pela indústria animal-biomédica. Que
tipos de prejuízos (éticos, psicológicos, etc.) o uso de animais na
educação médica pode causar ao estudante de medicina? Dr.
Vlasak: Como
um jovem médico pode justificar a matança de um ser saudável para se
aprender o que pode ser facilmente aprendido, em um nível muito mais
real, através do uso de simulações de computadores e ambientes
clínicos? Muitos estudantes de medicina nos EUA tem tido uma posição
muito forte contra a matança de animais nas faculdades, e tem sido os
grandes responsáveis pela substituição dos animais de laboratório.
Mesmo em faculdades de veterinária os estudantes estão substituindo o
animal de laboratório por experiências clínicas e outros métodos de
ensino. Cirurgiões
daqui dizem que o estudante deve estar em contato com tecidos vivos, e que
sem isso é impossível aprender a técnica cirúrgica. Alguns desconhecem
universidades pelo mundo que não utilizem tecidos vivos para o ensino de
cirurgia. É verdade? Dr.
Vlasak: Nos
EUA, a cirurgia é ensinada por cirurgiões mais experientes, conduzindo
jovens residentes através de procedimentos cada vez mais complicados na
sala de operações humanas. O tecido vivo é usado, como também se
aprende corretamente sobre fisiologia e anatomia humana. Gostaria de
repetir que nenhum cirurgião nos EUA aprendem cirurgia em animais
não-humanos. E alguns deles também afirmam que mesmo que não se exija o uso de animais durante o período de graduação, certamente utilizarão após a graduação. É verdade? Dr.
Vlasak: Como expliquei acima, o treinamento em animais na graduação e
pós graduação não é requerida, mas usualmente existe uma opção para
aqueles que desejam realizá-la. Mesmo
no treinamento cirúrgico, é uma opção estritamente de pesquisa
orientada, e não é obrigatória. Apenas nas escolas de medicina das
forças armadas existe a exigência de dissecção no currículo. Enfim,
os estudantes não são exigidos na prática de dissecção em estágios
mais avançados. É
possível ser um bom cirurgião sem ter aprendido com animais? Dr. Vlasak: Sou um bom cirurgião, e não aprendi em animais. Você
pode explicar mais sobre o período de residência (por exemplo), onde os
estudantes estão em contato com pacientes humanos e aprendem métodos
cirúrgicos em seres humanos? Dr. Vlasak: Temos um período de 5 a 7 anos de residência em cirurgia nos EUA. Começando no primeiro ano, os residentes são conduzidos através de operações simples, como reparos de hérnia e biópsias de mama, com um cirurgião mais experiente supervisionando atentamente. Desta forma se ensina as técnicas de tecido corretamente, e é combinado com o ensino didático da sala de operação e enfermarias. A medida em que o período de residência avança, o residente vai tendo contato com operações cada vez mais complexas, sempre sob supervisão de um cirurgião experiente. Realidade
virtual e outras tecnologias não dão ao estudante informações
importantes sobre sinais vitais, hemorragias, tato. É verdade? Dr.
Vlasak: A realidade virtual está ficando cada vez melhor com o passar do
tempo. Especialmente na área de cirurgia laparoscópica, alguns dos
simuladores são recursos muito bons no ensino de destreza e coordenação
olho-mão. Algum comentário adicional? Dr. Vlasak: Os animais não somente são desnecessários e raramente usados na educação médica nos EUA, como a ausência da matança de indivíduos saudáveis propicia o ensino da compaixão e preocupação nos jovens médicos. Eu estive viajando pela Europa oriental, onde as técnicas não-animais são adotadas com entusiasmo, e novas simulações de computadores foram apreciadas. O uso de animais não-humanos para ensinar medicina humana é um conceito do passado, e está sendo substituído por alternativas mais eficazes e humanas.
Dr.
Stefano Cagno, Médico Cirurgião – Itália Você
acredita que o uso de animais durante a educação médica é indispensável
para o ensino de técnica cirúrgica? Porquê? Dr.
Stefano - O uso de animais na pesquisa médica e científica não traz
nenhum benefício ao progresso científico. Os animais possuem uma
anatomia diferente da do homem e uma consistência/estrutura dos tecidos
também diferente. O cirurgião depois de ter experimentado as técnicas
nos animais, passa para o homem que será a verdadeira cobaia
experimental. Os cirurgiões experimentais, convencidos que aquilo que
viram nos animais tem validade para o homem, no momento que passam para
este último, se tornam menos prudentes do que deveriam ser, e
consequentemente fazem mais danos. Iluminadoras
são as palavras do Prof. Salvatore Rocca Rossetti, nefrologista e
urologista, docente da universidade de Torino: "Vi cirurgiões
experimentar em alguns órgãos de cão pensando que fossem idênticos àqueles
do homem e não sabendo que estavam cortando um órgão diferente, até
uma glândula linfática, invés da tireóide. Nenhum cirurgião se tornou
tal porque aprendeu a operar num animal; pelo contrário no animal ele
desaprendeu....Eu fiz dezenas de milhares de cirurgias no homem e não as
havia feito primeiro em animais". Que tipo de alternativas você sugeriria para a substituição dos animais durante o treinamento cirúrgico? Dr.
Stefano - É importante colocar
que se fosse investido mais dinheiro para métodos substitutivos da
vivissecção, existiriam até muito mais possibilidades válidas.
Atualmente existem muitíssimos softwares úteis para procedimentos cirúrgicos
experimentais. Um desses chamado "virtual section" recebeu a
aprovação e o investimento (sponsor) financeiro de parte da Universidade
de Stanford na Califórnia. Depois existem indústrias que produzem
membros artificiais feitos de material com a mesma consistência dos
tecidos humanos. Neste caso os jovens cirurgiões podem praticar (“fare
la mano”) nesses manequins. Que
tipos de prejuízos (éticos, psicológicos, etc.) o uso de animais na
educação médica pode causar ao estudante de medicina? Dr.
Stefano - O estudante de medicina que não critica o uso dos animais na
pesquisa experimental adere a uma lógica mecanicista que já fez danos
gravíssimos no passado. Habitua-se a pensar que os seres vivos são
constituídos de pedaços (órgãos) destacados e destacáveis entre eles.
Ignora as conseqüências psicológicas do correto funcionamento dos seres
vivos (homens e animais), esquecendo, por exemplo, que situações
estressantes como aquelas experimentais diminuem a eficácia do sistema
imunitário e então predispõe os animais a reagir de maneira ineficaz a
eventos potencialmente patogênicos. Mas sobretudo, os estudantes
tornando-se insensíveis ao sofrimento animal, se acostumam a fazer o
mesmo com o sofrimento humano. Neurologistas canadenses que, depois de ter
transcorrido um período de 6 meses em laboratórios de vivissecção,
voltavam ao hospital, quando colocados a testes psicológicos,
demonstraram muito menos sensibilidade ao sofrimento do paciente se
comparado com sua atitude antes do período que ficou no laboratório com
os animais. Para os vivisseccionistas os animais se tornam coisas, objetos para serem usados para os próprios fins. O passo em direção aos humanos é sempre muito curto/breve. Cirurgiões daqui dizem que o estudante deve estar em contato com tecidos vivos, e que sem isso é impossível aprender a técnica cirúrgica. Alguns desconhecem universidades pelo mundo que não utilizem tecidos vivos para o ensino de cirurgia. É verdade? Dr.
Stefano - Como eu disse antes,
o fato que os animais ofereçam aos estudantes jovens ou aos jovens
cirurgiões a possibilidade de exercitar-se em tecidos vivos não quer
dizer que isso seja realmente útil. A pressão que o cirurgião deve
fazer no bisturi para abrir o abdome de um suíno não é a mesma que deve
ser feita no homem. Na
Itália a partir do ano que vem a Universidade de Modena deveria abolir
qualquer experimentação animal, com objetivo didático, em qualquer das
faculdades O fato que muitíssimas universidades se continue a usar animais na experimentação cirúrgica não quer dizer que todos os cirurgiões efetivamente a usem (ver declarações precedentes do professor Rossetti) É
possível ser um bom cirurgião sem ter aprendido com animais? Dr.
Stefano - Sim. Também nesse caso repito as declarações do prof. Rocca
Rossetti. A anatomia humana se aprende nas salas de anatomia e observando
as operações dos cirurgiões mais velhos. Depois que se aprende um
procedimento numa espécie animal, o cirurgião experimental, tem que
desaprender para virar um cirurgião humano. Você pode explicar mais sobre o período de residência (por exemplo), onde os estudantes estão em contato com pacientes humanos e aprendem métodos cirúrgicos em seres humanos? Dr.
Stefano - Na Itália
infelizmente os estudantes de medicina e cirurgia não são obrigados a
freqüentar muito as salas de cirurgia e anatomia. Eu ao invés mantenho
que, depois da colação de grau, um médico que queira se dedicar à
profissão de cirurgião deveria freqüentar diariamente por alguns anos
as salas cirúrgicas. Lá ele aprenderá tudo que lhe servirá para a
profissão. Se
fosse para escolher entre sofrer uma cirurgia feita por um cirurgião com
longa experiência prática em animais e um outro com longa experiência
teórica com homens, eu não teria dúvidas: escolheria o último! Realidade virtual e outras tecnologias não dão ao estudante informações importantes sobre sinais vitais, hemorragias, tato. É verdade? Dr.
Stefano - A realidade virtual
é um rapidíssimo progresso e atualmente existem programas que mimetizam
qualquer situação. Existem manequins que mimetizam, por exemplo,
qualquer situação cardio/cardiocirculatória, kits para exercitar-se nas
anastomoses e nas incisões. Os eventos imprevisíveis depois se verificarão,
independente do método usado para se exercitar o para aprender. Não
esqueçamos que, por exemplo nos casos dos transplantes, as primeiras
cirurgias feitas no passado foram todas falidas para os eventos que eram
verificados nos homens, mas não nos animais. Sobre o assunto ler os
seguintes interessantíssimos artigos: Jamieson
S.W. et al. Combined heart and
lung transplantation, The Lancet, May 21, 1983, 1130. Burke
C.M. et al. Twenty-eight cases
oh human heart-lung trasplantation, March 8, 1986 517-519 Na Itália e na Europa, quantas escolas de medicina substituíram animais durante a educação médica? Dr. Stefano - Não conheço esse dado precisamente. Na Itália o uso de animais para exercícios universitários está em franca diminuição e poderia em pouco tempo ser vetado. Como anteriormente lembrei, a universidade de Modena a partir do próximo ano deverá ser o primeiro caso onde o emprego de animais será vetado em todas as faculdades. Algum comentário adicional? Dr.
Stefano - As respostas foram sintéticas, mas o argumento é muito vasto e
importante. A medicina, e as disciplinas biológico/científicas em geral,
progredirão com mais velocidade quando definitivamente for abolido o uso
de animais. A vivissecção é um método que deveria ofender a inteligência
dos que amam a ciência e as matérias científicas. Eu considero a
vivissecção no mesmo nível que a bruxaria.
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